Saltar para o conteúdo

Pastagem & saúde animal

Plantas tóxicas para alpacas — o que todos os criadores devem conhecer

Timm Quandt8 min de leitura

As alpacas são, por natureza, muito esquisitas a comer — a maioria reconhece instintivamente as plantas venenosas e evita-as. Mesmo assim, todos os anos há intoxicações, sobretudo na primavera, quando a erva fresca atrai e a cautela natural é vencida, ou no feno, onde as plantas venenosas secas já não se reconhecem. Este artigo apresenta as principais plantas tóxicas para alpacas que crescem na região DACH (Alemanha, Áustria e Suíça) em pastagens, sebes e jardins vizinhos — e que todos os criadores de alpacas devem saber identificar com segurança.

Resumo das principais plantas tóxicas para alpacas e lamas na região DACH

Porque há intoxicações apesar do instinto

Uma alpaca saudável, bem alimentada e com escolha suficiente na pastagem não toca na maioria das plantas tóxicas. A situação torna-se crítica em três casos: primeiro, na primavera, quando, depois de muito tempo no estábulo, a fome de tudo o que é verde fala mais alto. Segundo, quando falta comida — áreas sobrepastoreadas ou parques demasiado pequenos obrigam os animais a comer também o que normalmente evitariam. E terceiro, no feno: as plantas secas perdem o sabor amargo, a sua forma mal se reconhece no fardo, mas as toxinas mantêm-se — em algumas plantas até de forma concentrada.

A isto junta-se o pescoço comprido: as alpacas chegam bem mais longe por cima da vedação do que muitos criadores imaginam. As plantas de jardins e sebes do outro lado do limite do parque fazem, por isso, parte da avaliação de riscos.

As cinco plantas tóxicas mais importantes em resumo

Teixo (Taxus baccata) – uma das plantas tóxicas mais perigosas para alpacas e lamas

1. Teixo (Taxus baccata)

O teixo é considerado a planta mais perigosa para quase todos os animais de pastoreio. A substância ativa é o alcaloide taxina, presente nas agulhas, na casca, na madeira e nas sementes — só a polpa vermelha à volta da semente não é venenosa. Uma pequena quantidade de agulhas (poucos gramas) pode matar uma alpaca adulta em poucos minutos. O traiçoeiro: o teixo é uma planta muito comum em sebes e cemitérios, e os restos de poda passam facilmente por cima da vedação ou são deitados fora pelos vizinhos como se fossem resíduos verdes inofensivos.

Os sintomas surgem muitas vezes tão de repente que não há hipótese de tratamento: fraqueza, tremores, colapso, paragem cardíaca. Não existe antídoto eficaz. A prevenção mais importante: nenhum teixo ao alcance dos animais — nem do outro lado da vedação.

Tasneira (Senecio jacobaea) – intoxicação lenta do fígado das alpacas através de feno contaminado

2. Tasneira (Senecio jacobaea)

A tasneira, também chamada erva-de-são-tiago, é uma das plantas de prado mais perigosas da Europa Central. Os alcaloides pirrolizidínicos que contém causam lesões hepáticas crónicas e irreversíveis. Ao contrário dos venenos agudos, as consequências muitas vezes só se manifestam meses depois da ingestão — mas então, frequentemente, de forma fatal, e até lá a fonte original da contaminação há muito que deixou de ser rastreável.

A planta fresca é geralmente evitada pelas alpacas — o sabor amargo avisa-as. Seca, porém, perde quase por completo este mecanismo de proteção: no feno já não é reconhecida e é comida juntamente com o resto. Isto faz da origem do feno a questão decisiva. Os prados de feno devem ser verificados antes de cada corte, e na compra vale a pena perguntar especificamente por prados sem tasneira. Na própria pastagem ajuda arrancar sistematicamente as plantas antes da floração (junho a agosto) — cortar não chega, porque a planta volta a rebentar.

Ranúnculo (Ranunculus) – presente em quase todas as pastagens húmidas de alpacas

3. Ranúnculo (espécies de Ranunculus)

As espécies de ranúnculo — as mais conhecidas são o ranúnculo-acre e o ranúnculo-rastejante — crescem em quase todas as pastagens húmidas. Contêm protoanemonina, que irrita as mucosas e provoca problemas gastrointestinais. A toxicidade aguda é bem menor do que a do teixo ou do cólquico, mas com muita presença ou falta de comida os animais podem ainda assim ser afetados. No feno a planta torna-se inofensiva: a protoanemonina degrada-se na secagem.

O ranúnculo indica solos adubados em excesso ou demasiado húmidos. Quem o quer combater na pastagem deve atuar no terreno — ou seja, garantir melhor drenagem e uma adubação equilibrada — e não tentar arrancar as plantas uma a uma.

Rododendros e azáleas – fonte perigosa de intoxicação para alpacas através de restos de poda de jardins vizinhos

4. Rododendros e azáleas

Os rododendros e as azáleas contêm graianotoxinas, que atacam o coração, a circulação e o sistema nervoso. Bastam poucas folhas para provocar sintomas fortes: salivação excessiva, vómitos — raros nos ruminantes e igualmente atípicos nas alpacas —, cólicas, tremores, fraqueza, dificuldades respiratórias, arritmias cardíacas.

A planta raramente está na própria pastagem, mas é muito frequente nos jardins vizinhos. Os restos de poda do vizinho são uma fonte típica de intoxicação. Aqui, informar a vizinhança ajuda mais do que qualquer vedação: quem tem alpacas deve dizer claramente que restos de jardim e de sebes não podem ser atirados por cima da vedação.

Cólquico (Colchicum autumnale) – altamente tóxico para alpacas também no feno

5. Cólquico (Colchicum autumnale)

O cólquico contém o alcaloide colchicina, um dos venenos vegetais mais potentes que existem — e não há antídoto. Tal como a tasneira, o cólquico fresco é geralmente evitado pelas alpacas. No feno, porém, mal se reconhece, e a colchicina mantém-se totalmente estável na secagem.

Os sintomas surgem com atraso — normalmente 6 a 48 horas após a ingestão: diarreia com sangue, salivação, fraqueza, colapso circulatório. A evolução é frequentemente fatal. Em prados infestados, as plantas devem ser removidas de forma sistemática antes da colheita do feno; evitar por completo o feno desses prados é a solução mais segura.

Outras plantas a evitar a todo o custo

Além das cinco plantas apresentadas, há outras que devem estar na lista de verificação de qualquer criador. Entre as plantas ornamentais e de sebe, são sobretudo o loendro, o laburno, o louro-cerejo, a tuia, a árvore-da-vida, o acónito e o evónimo — muitas destas plantas atingem quantidades letais com poucas folhas. Da flora autóctone juntam-se o feto-águia, a robínia, a frângula, a doce-amarga e a cicuta, e ainda, nos jardins e nas plantas de vaso, a amendoeira-amarga, o estramónio e o heléboro-branco.

Também as bolotas e as folhas de carvalho são problemáticas em grandes quantidades — os taninos que contêm danificam os rins e o trato gastrointestinal. Os animais jovens reagem com mais sensibilidade do que os adultos.

Sintomas de intoxicação

Os sintomas de intoxicação variam muito conforme a planta, mas há sinais que devem sempre pôr-te em alerta: salivação excessiva e estalar da boca, apatia súbita e falta de apetite, sintomas de cólica (deitar-se e levantar-se muitas vezes, esticar-se), diarreia — sobretudo com sangue —, tremores, convulsões, andar cambaleante, falta de ar ou ritmo cardíaco acelerado. Em intoxicações agudas pode também ocorrer morte súbita sem aviso visível — típico, por exemplo, do teixo.

Prevenção: o que resulta no dia a dia

A medida mais importante é percorrer com atenção todos os parques uma vez por ano — de preferência no fim da primavera, quando a maioria das plantas se consegue identificar. Avalia-se a zona da vedação dos dois lados: o que cresce dentro e o que chega de fora. A origem do feno deve ser conhecida; na compra, vale a pena perguntar diretamente por tasneira e cólquico, idealmente visitando o prado de feno antes do corte.

A gestão das pastagens tem um papel indireto, mas importante: uma área suficientemente grande e com boa erva reduz muito o risco, porque os animais não recorrem às plantas tóxicas por fome. A rotação e a ressementeira ajudam a manter favorável a proporção entre plantas forrageiras e plantas tóxicas.

Por fim, informar a vizinhança faz parte do programa obrigatório: os restos de jardim e de sebes são a causa evitável de intoxicação mais frequente. Uma conversa simpática no início evita a maioria dos incidentes.

Fontes e mais informação

Uma visão completa de todas as plantas relevantes encontra-se na literatura especializada, por exemplo no livro «Alpakas und Lamas — Giftpflanzen, die Neuweltkameliden nicht fressen dürfen» (Lama-Nativo Verlag). Online, são úteis as bases de dados do Botanikus.de e a Global Toxic Plant Database do Open Sanctuary Project. A flora varia, no entanto, muito de região para região — nenhuma lista substitui uma visita especializada à própria pastagem.

Fontes

  1. Bertram et al. (2024) — Fallbericht: Rhododendron-Vergiftung bei vier Alpakas in Norddeutschland
  2. Merck Veterinary Manual — Jakobskreuzkraut/Senecio und weitere für Neuweltkameliden giftige Pflanzen
  3. Rocky Mountain Llama & Alpaca Association (RMLA): „Plants Poisonous to Alpacas and Llamas" — Eibe (Taxus) und Giftpflanzenübersicht
  4. Cornell University / Colorado State University — Toxizität welker Rotahorn-Blätter (Acer rubrum)

Experimenta o ALPAKA.PRO grátis durante 30 dias.

30 dias grátis, sem dados de pagamento, cancelas quando quiseres.

Experimentar grátis